sábado, 11 de junho de 2016

A SAGA DO AMOR E DA PAIXÃO, por Willian Xavier


Para os namorados, nesse dia mais que especial, uma breve história medieval sobre amor e paixão:



Quando seu castelo de amor caiu, sentiu que não tinha súditos nem coroa, e o príncipe que outrora lhe sorria, abandonou o reino, pintando de cinza as planícies que então avistava. No mesmo instante, distante das terras da princesa abandonada, um guerreiro perdia sua batalha, golpeado por um cavaleiro negro que montava sem jeito, mas golpeava certeiro e se chamava paixão.
Nas vilas próximas e distantes, sendo nos vales ou nas montanhas, todo mundo conhecia a história da bela princesa esquecida e do bravo guerreiro derrotado. E salpicavam de detalhes a tragédia nos castelos e campos que haviam além do horizonte. Todos sabiam do amor que ruiu e da paixão que feriu.
Então, numa manhã de sol vagaroso, cansada de juntar os pedaços do seu castelo pelo chão, a princesa decidiu pôr os pés firmes sobre a estrada e caçar outro lugar pra construir seu amor. Da mesma forma, ferido e enganado, do outro lado também decidido, o guerreiro montava seu cavalo bravo e saia a procurar outra paixão para combate.
Já se passavam anos que os dois errantes, desiludidos, percorriam reinos e vilas, que pelos vales se despiam em desejos e mentiras. Por um lado, a princesa não encontrava lugar para construir seu amor. Do outro, o guerreiro penava sem sucesso na sua procura, sem a esperança da paixão que o vencera.
De repente a princesa avista um cavalo negro e arredio, vinha marchando seco entre as folhas verdes da floresta. Trazia consigo a expressão sincera de alguém aberto e corajoso. Era o guerreiro e sua procura.
O guerreiro ríspido na sua jornada, quase não notara entre os pinhos da floresta fria, o vestido azul já desbotado da bela princesa que lhe sorria. Parecia estar serena, mesmo que em seus olhos notasse, o medo e o vislumbre.
E os dois se olharam por minutos! Se espiavam de longe, sem sentir que a distância se encurtara no breve espaço desde que se viram. Então a princesa sentiu de novo aquele brilho, o chão firme que seu castelo procurava, e o guerreiro largou sua espada, e se entregou enfim a luta desarmada. Se atreveram a um abraço naquele instante, e ficaram ali encobertos pelas altas árvores, aliviados pelo fim de suas procuras.
Quem agora navega pelos rios ou anda pelos vales e montanhas, sabe contar com clareza a história da princesa e do guerreiro. De suas buscas que enfim se findaram, de suas lutas que enfim acabaram.  Sabem todos agora, que os dois vivem na floresta das folhas verdes. Sabem que a paixão os protege, e que nenhum mal no mundo pode adentrar os portões do imenso reino.

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